Você já teve malária?
Fazer uma pergunta dessas a um angolano equivaleria a perguntar para alguém, em São Paulo, se já ficou gripado alguma vez na vida. A malária ainda é endêmica por aqui. No ano passado, 2 milhões de pacientes foram internados nos hospitais de Angola com malária, que em Angola também é conhecida como paludismo.
http://casadeluanda.blogspot.com/2008/05/voc-j-teve-malria.html
Em Angola há transmissão de malária em área urbana como há transmissão de dengue no Rio de Janeiro. O mosquito transmissor de malária em Angola, o Anopheles gambiae se urbanizou, assim como se urbanizou o mosquito Aedes aegypti no Rio de Janeiro, transmissor da dengue. Negligências de toda ordem e esses mosquitos transformaram como endêmicas essas doenças nesses dois países.
Nossos agradecimentos à Daniela Nobrega que nos enviou essas informações abaixo.
Telefones e emails:
Hospital Militar:
222 324 448
222 322 220
Direcção Geral - 222 325 947
email: hosmilp@netangola.com
Clínica Multiperfil:
222 469 439
222 469 447
222 469 446
email: geral@multiperfil.co.ao
Situação e números da malária em Angola:
http://pjuliao.blogspot.com/2007/09/malria-indstria-da-morte-em-angola.html
http://casadeluanda.blogspot.com/2008/05/voc-j-teve-malria.html
http://cmdt.ihmt.unl.pt/downloads/doc_00000141_20061013-1214.pdf
http://www.angolaxyami.com/Saude/Angola-nao-progrediu-no-combate-a-Malaria-afirmou-a-Organizacao-Mundial-da-Saude-OMS.html
"Silenciosamente a malária atinge meio bilhão de pessoas no planeta todos os anos e leva ao óbito centenas de milhares delas, silenciando principalmente crianças. Suas principais causas são o retardo de diagnóstico e de tratamento, a desinformação sobre a doença e o nosso silêncio! Para contrair a doença basta ser picado por um mosquito Anopheles infectado e para um mosquito se infectar basta picar alguém doente. Sem doentes não temos mosquitos infectados nem transmissão de malária."WBarroso
sábado, 26 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
A dificuldade de diagnosticar malária fora da Amazônia no Brasil.
O que faz a malária evoluir para suas formas graves e o óbito nas áreas de transmissão interrompida da região Extra-Amazônica brasileira é o retardo de diagnóstico e tratamento e a desinformação sobre a doença. A maioria dos profissionais de saúde nessas regiões não pensam em malária diante de um paciente febril sem outros diagnósticos conclusivos. Por causa disso a letalidade por malária nessas regiões é dezenas de vezes maior do que na Amazônia, isto é, a possibilidade de se morrer de malária fora da Amazônia no Brasil de alguém que contraiu a doença em qualquer área endêmica do planeta e veio a apresenar os sintomas por aqui, como Rio, São Paulo ou Santa Catarina, por exemplo, é dezenas de vezes maior do que na Amazônia.
Leiam os artigos:
http://www.bio.fiocruz.br/index.php/artigos/331-a-malaria-e-as-vitimas-da-desinformacao
http://www.scielo.br/pdf/rsbmt/v43n4/a32v43n4.pdf
Leiam os artigos:
http://www.bio.fiocruz.br/index.php/artigos/331-a-malaria-e-as-vitimas-da-desinformacao
http://www.scielo.br/pdf/rsbmt/v43n4/a32v43n4.pdf
sábado, 29 de janeiro de 2011
Malária cerebral em criança britânica na Nigéria
Prezado Dr Barroso,
Parabenizo-o pelo excelente artigo sobre malária, que acabo de ler em seu blog: http://malariabrasil.blogspot.com/2010/04/malaria-quimioprofilaxia-e-medidas-de.html
Uma criança britânica de 4 anos, conhecida nossa, contraiu malaria cerebral e está em coma desde ontem na Nigeria, amanhã o médico deve fazer uma transfusão de sangue para tentar salvá-la: o senhor acha ser esse o procedimento correto?
Qual a chance dela escapar da morte e quais as seqüelas?
Pelo que li, assim que possível ela deveria ser tirada daquele país, minha duvida é onde seria melhor para ela, pois o pai já havia comprado passagem para o Chile e Brasil, pois na condição dela talvez fosse melhor voltar para a Europa, que é mais próxima de onde estão...
Li, porém que regiões com mais de 1500m de altitude não favorecem o contagio - nesse caso as montanhas chilenas podem ser um bom local para ela se recuperar por uma semana, sem colocar o pai e outras pessoas em risco?
Também pensei que no Brasil talvez tenhamos mais especialistas em malária para ajudá-la, do que se voltasse para a Inglaterra. O senhor concorda com isso?
O pai dela está trabalhando em um projeto na Nigéria e por isso levou sua filhinha. Estou rezando para que ela sobreviva e minha filha adolescente já disse que vamos “adotá-la” para morar conosco aqui em São Paulo. O senhor acha que correríamos risco de também contrair malária?
Agradeço imensamente a sua atenção e, se possível, gostaria de conhecer a sua opinião pelo exposto acima...
Atenciosamente,
Tania
Prezada Tania, agradecendo o email e suas palavras sobre o artigo, informo-lhe que transfusão sangüínea em casos de malária cerebral ou não, é para repor células sanguíneas que foram destruídas pelos plasmódios, principalmente as hemácias, pois a velocidade de destruição das hemácias pelos plasmódios é muito maior que a velocidade de reposição de hemácias que nosso organismo consegue repor. E hemácia é uma célula vital para o funcionamento de todos os órgãos e sistemas, pois é ela quem leva oxigênio e metabólitos para as demais células. Informo também que para transfusão sanguínea é importante testar a contaminação do sangue antes de ser transfundido: para a AIDS, malária e hepatites, principalmente em locais com poucos recursos médicos e tecnológicos. Já tivemos aqui no RJ um caso de malária transfusional de um brasileiro vindo de um país africano. Este caso também poderia ter sido de AIDS ou hepatite. O tratamento da malária é medicamentoso com medicamentos chamados antimaláricos em qualquer fase da doença e estes devem sempre ser avaliados seus efeitos de cura através da redução da parasitemia (redução do número de protozoários no sangue) feita através de exames de sangue que são simples, chamados gota espessa ou esfregaços sanguíneos. Pois existe a possibilidade do Plasmodium estar resistente ao medicamento prescrito, com isso o caso pode evoluir, inclusive para quadros graves como o coma malárico e a malária cerebral, e a cura não ocorrer por falência terapêutica. A quimiorresistência que os plasmódios adquirem frente aos medicamentos antimaláricos representa um dos maiores entraves no controle da endemia no planeta. O arsenal terapêutico para o tratamento de malária se encurta cada vez mais. Hoje as indústrias farmacêuticas preferem pesquisar novos medicamentos para calvície do que novos antimaláricos. Dá para imaginar os motivos?...Pois é... Neste caso de malária cerebral o que pode ter havido também, foi retardo de diagnóstico e de tratamento além de desinformação sobre a doença, ou seja, de que se poderia contrair malária na Nigéria, país com alta endemicidade da doença, inclusive em áreas urbanas, e que se viesse a sentir sintomas em que o principal é a febre, deve-se imediatamente ir em busca de socorro médico, achando que contraiu malária, com isso o quadro poderia não evoluir para suas formas graves, como dito anteriormente. Quanto maior a velocidade no diagnóstico e no tratamento da malária, assim que aparecem os sintomas, melhores são os prognósticos para o tratamento e cura da doença. Cerca de 90% dos casos de malária na Nigéria são causados pelo P. falciparum, o protozoário mais agressivo da doença e responsável por quase 100% dos óbitos por malária no planeta. Infelizmente são poucos os casos de malária cerebral que sobrevivem sem seqüelas, pois há comprometimento das células cerebrais e de todo sistema nervoso central, precedido na maioria das vezes por falência de vários outros órgãos como os rins, os pulmões, o baço e o fígado, que acabam se tornando casos graves em função dessas complicações clínicas. A maioria desses casos são emergências médicas e casos de CTI, isto é, de Centro de Tratamento Intensivo. Casos graves de malária como esse exigem tratamento intensivo e não devem ser removidos para lugares distantes, a não ser que o hospital apresente precários recursos médicos-assistenciais que comprometam a vida. Pesquisadores americanos da Michigan State University-USA, em estudo recente com crianças africanas mostrou que quase um terço dos sobreviventes de malária cerebral desenvolveu epilepsia ou outros distúrbios de comportamento que apareceram pós alta hospitalar. A febre alta e complicações advindas do entupimento das artérias de pequeno calibre pelas células parasitadas com os plasmódios lesionam o tecido cerebral e comprometem as células nervosas. A destruição do tecido nervoso pode deixar seqüelas das mais variadas e inesperadas formas. Existe um enorme fardo dos distúrbios neurológicos pós-malária, principalmente em crianças.
Países que não têm malária de forma endêmica como a Inglaterra e o Chile, têm poucos profissionais médicos com experiência além de poucos e concentrados recursos laboratoriais para diagnóstico e tratamento de malária. Isso também ocorre no Brasil em regiões de transmissão interrompida, como a região extra-amazônica. Hoje lhe informo que a malária está sem controle no planeta, principalmente nos países africanos. E a AIDS na África não está diferente da malária. O que está acontecendo com essa criança, acontece com milhares de outras crianças africanas todos os anos, infelizmente. No Brasil, podemos contrair malária na Amazônia, que corresponde a cerca de 50% do território brasileiro, em regiões de Mata Atlântica na região sudeste (ES,RJ,SP e SC) e no vale do Rio Paraná, além de riscos de reintrodução da doença através de casos importados onde existe o mosquito transmissor da doença. No Brasil não temos transmissão de malária em áreas urbanas como SP e RJ, porque não temos mosquitos transmissores nessas regiões urbanizadas. Na maioria dos países africanos a urbanização de mosquitos transmissores de malária é uma realidade. Tanto os mosquitos como nós, estamos em constante luta pela sobrevivência, manutenção da vida e preservação da espécie. Os mosquitos se adaptam muito facilmente às mais adversas condições de vida e sobrevivência, às vezes muito diferentes das que estão acostumados. Apesar de não possuirmos transmissão de malária em áreas urbanas do RJ e SP por não possuirmos o mosquito transmissor, temos uma letalidade por malária de casos importados dezenas de vezes maior que na Amazônia em função da desinformação sobre a doença. A exceção de transmissão de malária em áreas urbanas fica para o entorno das cidades da Amazônia onde ocorrem casos, como Manaus, Belém e Boa Vista por exemplo. Para que um novo caso de malária ocorra é necessário que alguém com malária permaneça sem diagnóstico e tratamento em determinada região e exposto aos mosquitos do gênero Anopheles, transmissores. Se tratarmos o doente com malária antes dele ser picado por novos mosquitos, conseguimos romper o ciclo da doença evitando a transmissão, o aparecimento de novos casos e a ocorrência de surtos ou epidemias. Isolar e tratar o paciente doente em quartos telados em áreas de transmissão é uma excelente medida para não infectar novos mosquitos e por conta disso, não ocorrerem novos casos. Isso também vale para interromper a transmissão de dengue em áreas urbanas e quase ninguém usa dessa estratégia. Uma das diferenças entre o mosquito da dengue e o da malária, é que a prole de um mosquito da dengue infectado com o vírus da dengue já nasce toda infectada, pronto para transmitir a doença. E o mosquito da malária não. Cada mosquito transmissor de malária para se infectar com o Plasmodium precisa picar um homem doente com a malária . Resumindo, é muito mais fácil controlar malária do que dengue por causa disso, sob esse ponto de vista. Existe também a possibilidade de se contrair malária em portos e aeroportos, pois o mosquito infectado com o Plasmodium pode vir dentro de navios e aviões vindos de áreas endêmicas ou de transmissão, infelizmente também quase ninguém se importa ou sabe disso. Pois é, não é de hoje que a malária anda caminhando com suas próprias pernas, com suas poucas pernas e com suas curtas pernas. Precisamos sair da condição de expectadores desse sofrimento humano,...pensem nisso!
Tania, continue nos informando, e conte conosco. Atenciosamente Dr Wanir Barroso, sanitarista.
Prezado Dr. Barroso,
A criança recebeu a transfusão de sangue e está respondendo ao tratamento com artesunate, usado tradicionalmente na Asia, e voltará para a Europa assim que possível. Mais uma vez agradeço a atenção,
Cordialmente,
Tania
Parabenizo-o pelo excelente artigo sobre malária, que acabo de ler em seu blog: http://malariabrasil.blogspot.com/2010/04/malaria-quimioprofilaxia-e-medidas-de.html
Uma criança britânica de 4 anos, conhecida nossa, contraiu malaria cerebral e está em coma desde ontem na Nigeria, amanhã o médico deve fazer uma transfusão de sangue para tentar salvá-la: o senhor acha ser esse o procedimento correto?
Qual a chance dela escapar da morte e quais as seqüelas?
Pelo que li, assim que possível ela deveria ser tirada daquele país, minha duvida é onde seria melhor para ela, pois o pai já havia comprado passagem para o Chile e Brasil, pois na condição dela talvez fosse melhor voltar para a Europa, que é mais próxima de onde estão...
Li, porém que regiões com mais de 1500m de altitude não favorecem o contagio - nesse caso as montanhas chilenas podem ser um bom local para ela se recuperar por uma semana, sem colocar o pai e outras pessoas em risco?
Também pensei que no Brasil talvez tenhamos mais especialistas em malária para ajudá-la, do que se voltasse para a Inglaterra. O senhor concorda com isso?
O pai dela está trabalhando em um projeto na Nigéria e por isso levou sua filhinha. Estou rezando para que ela sobreviva e minha filha adolescente já disse que vamos “adotá-la” para morar conosco aqui em São Paulo. O senhor acha que correríamos risco de também contrair malária?
Agradeço imensamente a sua atenção e, se possível, gostaria de conhecer a sua opinião pelo exposto acima...
Atenciosamente,
Tania
Prezada Tania, agradecendo o email e suas palavras sobre o artigo, informo-lhe que transfusão sangüínea em casos de malária cerebral ou não, é para repor células sanguíneas que foram destruídas pelos plasmódios, principalmente as hemácias, pois a velocidade de destruição das hemácias pelos plasmódios é muito maior que a velocidade de reposição de hemácias que nosso organismo consegue repor. E hemácia é uma célula vital para o funcionamento de todos os órgãos e sistemas, pois é ela quem leva oxigênio e metabólitos para as demais células. Informo também que para transfusão sanguínea é importante testar a contaminação do sangue antes de ser transfundido: para a AIDS, malária e hepatites, principalmente em locais com poucos recursos médicos e tecnológicos. Já tivemos aqui no RJ um caso de malária transfusional de um brasileiro vindo de um país africano. Este caso também poderia ter sido de AIDS ou hepatite. O tratamento da malária é medicamentoso com medicamentos chamados antimaláricos em qualquer fase da doença e estes devem sempre ser avaliados seus efeitos de cura através da redução da parasitemia (redução do número de protozoários no sangue) feita através de exames de sangue que são simples, chamados gota espessa ou esfregaços sanguíneos. Pois existe a possibilidade do Plasmodium estar resistente ao medicamento prescrito, com isso o caso pode evoluir, inclusive para quadros graves como o coma malárico e a malária cerebral, e a cura não ocorrer por falência terapêutica. A quimiorresistência que os plasmódios adquirem frente aos medicamentos antimaláricos representa um dos maiores entraves no controle da endemia no planeta. O arsenal terapêutico para o tratamento de malária se encurta cada vez mais. Hoje as indústrias farmacêuticas preferem pesquisar novos medicamentos para calvície do que novos antimaláricos. Dá para imaginar os motivos?...Pois é... Neste caso de malária cerebral o que pode ter havido também, foi retardo de diagnóstico e de tratamento além de desinformação sobre a doença, ou seja, de que se poderia contrair malária na Nigéria, país com alta endemicidade da doença, inclusive em áreas urbanas, e que se viesse a sentir sintomas em que o principal é a febre, deve-se imediatamente ir em busca de socorro médico, achando que contraiu malária, com isso o quadro poderia não evoluir para suas formas graves, como dito anteriormente. Quanto maior a velocidade no diagnóstico e no tratamento da malária, assim que aparecem os sintomas, melhores são os prognósticos para o tratamento e cura da doença. Cerca de 90% dos casos de malária na Nigéria são causados pelo P. falciparum, o protozoário mais agressivo da doença e responsável por quase 100% dos óbitos por malária no planeta. Infelizmente são poucos os casos de malária cerebral que sobrevivem sem seqüelas, pois há comprometimento das células cerebrais e de todo sistema nervoso central, precedido na maioria das vezes por falência de vários outros órgãos como os rins, os pulmões, o baço e o fígado, que acabam se tornando casos graves em função dessas complicações clínicas. A maioria desses casos são emergências médicas e casos de CTI, isto é, de Centro de Tratamento Intensivo. Casos graves de malária como esse exigem tratamento intensivo e não devem ser removidos para lugares distantes, a não ser que o hospital apresente precários recursos médicos-assistenciais que comprometam a vida. Pesquisadores americanos da Michigan State University-USA, em estudo recente com crianças africanas mostrou que quase um terço dos sobreviventes de malária cerebral desenvolveu epilepsia ou outros distúrbios de comportamento que apareceram pós alta hospitalar. A febre alta e complicações advindas do entupimento das artérias de pequeno calibre pelas células parasitadas com os plasmódios lesionam o tecido cerebral e comprometem as células nervosas. A destruição do tecido nervoso pode deixar seqüelas das mais variadas e inesperadas formas. Existe um enorme fardo dos distúrbios neurológicos pós-malária, principalmente em crianças.
Países que não têm malária de forma endêmica como a Inglaterra e o Chile, têm poucos profissionais médicos com experiência além de poucos e concentrados recursos laboratoriais para diagnóstico e tratamento de malária. Isso também ocorre no Brasil em regiões de transmissão interrompida, como a região extra-amazônica. Hoje lhe informo que a malária está sem controle no planeta, principalmente nos países africanos. E a AIDS na África não está diferente da malária. O que está acontecendo com essa criança, acontece com milhares de outras crianças africanas todos os anos, infelizmente. No Brasil, podemos contrair malária na Amazônia, que corresponde a cerca de 50% do território brasileiro, em regiões de Mata Atlântica na região sudeste (ES,RJ,SP e SC) e no vale do Rio Paraná, além de riscos de reintrodução da doença através de casos importados onde existe o mosquito transmissor da doença. No Brasil não temos transmissão de malária em áreas urbanas como SP e RJ, porque não temos mosquitos transmissores nessas regiões urbanizadas. Na maioria dos países africanos a urbanização de mosquitos transmissores de malária é uma realidade. Tanto os mosquitos como nós, estamos em constante luta pela sobrevivência, manutenção da vida e preservação da espécie. Os mosquitos se adaptam muito facilmente às mais adversas condições de vida e sobrevivência, às vezes muito diferentes das que estão acostumados. Apesar de não possuirmos transmissão de malária em áreas urbanas do RJ e SP por não possuirmos o mosquito transmissor, temos uma letalidade por malária de casos importados dezenas de vezes maior que na Amazônia em função da desinformação sobre a doença. A exceção de transmissão de malária em áreas urbanas fica para o entorno das cidades da Amazônia onde ocorrem casos, como Manaus, Belém e Boa Vista por exemplo. Para que um novo caso de malária ocorra é necessário que alguém com malária permaneça sem diagnóstico e tratamento em determinada região e exposto aos mosquitos do gênero Anopheles, transmissores. Se tratarmos o doente com malária antes dele ser picado por novos mosquitos, conseguimos romper o ciclo da doença evitando a transmissão, o aparecimento de novos casos e a ocorrência de surtos ou epidemias. Isolar e tratar o paciente doente em quartos telados em áreas de transmissão é uma excelente medida para não infectar novos mosquitos e por conta disso, não ocorrerem novos casos. Isso também vale para interromper a transmissão de dengue em áreas urbanas e quase ninguém usa dessa estratégia. Uma das diferenças entre o mosquito da dengue e o da malária, é que a prole de um mosquito da dengue infectado com o vírus da dengue já nasce toda infectada, pronto para transmitir a doença. E o mosquito da malária não. Cada mosquito transmissor de malária para se infectar com o Plasmodium precisa picar um homem doente com a malária . Resumindo, é muito mais fácil controlar malária do que dengue por causa disso, sob esse ponto de vista. Existe também a possibilidade de se contrair malária em portos e aeroportos, pois o mosquito infectado com o Plasmodium pode vir dentro de navios e aviões vindos de áreas endêmicas ou de transmissão, infelizmente também quase ninguém se importa ou sabe disso. Pois é, não é de hoje que a malária anda caminhando com suas próprias pernas, com suas poucas pernas e com suas curtas pernas. Precisamos sair da condição de expectadores desse sofrimento humano,...pensem nisso!
Tania, continue nos informando, e conte conosco. Atenciosamente Dr Wanir Barroso, sanitarista.
Prezado Dr. Barroso,
A criança recebeu a transfusão de sangue e está respondendo ao tratamento com artesunate, usado tradicionalmente na Asia, e voltará para a Europa assim que possível. Mais uma vez agradeço a atenção,
Cordialmente,
Tania
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Malária atinge milhares de amazônidas todos os anos
Ouçam essa notícia da Radioagencia Nacional.
http://radioagencianacional.ebc.com.br/materia/2010-12-17/mal%C3%A1ria-atinge-milhares-de-amaz%C3%B4nidas-todos-os-anos
http://radioagencianacional.ebc.com.br/materia/2010-12-17/mal%C3%A1ria-atinge-milhares-de-amaz%C3%B4nidas-todos-os-anos
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Malária: onde informar-se e buscar por socorro médico no Brasil
Malaria: where to get advice and seek medical help in Brazil.
Folder "CONHEÇA A MALÁRIA". Autores: Wanir J. Barroso, sanitarista da Anvisa/MS e Claudio T. D. Ribeiro, médico chefe do Laboratório de Pesquisas em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Agradecemos a reprodução, divulgação do link e citação dos autores.
http://www4.ensp.fiocruz.br/biblioteca/dados/txt_569194722.pdf
Centros de Referência para a malária no Brasil:
RJ - Centro de Pesquisa, Diagnóstico e Treinamento em Malária
(CPDMAL/Fiocruz):(0xx21)9988.0113
Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC)
Tels. (0xx21) 3865-9506, 3865-9576 e 3865-9636 e
Laboratório de Pesquisas em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC)
Tel./Fax (0xx21) 3865-8145
RJ - Hospital Universitário da UFRJ
Tels. (0xx21) 2562-2562 e 2562-2590 e CIVES – UFRJ
Tel. (0xx21) 2562-6213
RJ - Hospital Universitário da UFF
Tels: (0xx21) 2629-9313 e 2629-9314
RJ - SES/RJ - Tel. (0xx21) 2299-9745 e SMS/RJ (0xx21) 2289-2096
SP - Hospital das Clínicas da USP - Tel. (0xx11) 3069-6135
SP - Ambulatório dos Viajantes do HC/USP
Tel. (0xx11) 3069-6392 e 3081-8039
SP - Núcleo de Medicina do Viajante Instituto de Infectologia
Emílio Ribas - Tel. (0xx11) 3896-1366 e 3896.1400
MG - Faculdade de Medicina da UFMG
Tels. (0xx31) 3226-6269, 9971-7846, 9956-7438
MT - Hospital Universitário Júlio Muller - Tel. (0xx65) 3615-7281
Ambulatório de Infectologia e Pronto Atendimento
Tel. (0xx65) 3615-7343
DF - Universidade de Brasília - Núcleo de Medicina Tropical
Tel. (0xx61) 3273-5008
DF - Laboratório Central da Secretaria de Saúde do GDF (LACEN)
Tel. (0xx61) 3325-5288 e 3321-2642
AM - Fundação de Medicina Tropical do Amazonas
Tel. (0xx92) 3622-0903
RO - CEPEM - Tel. (0xx69) 3225-3304 e 3225-2279
PA - Instituto Evandro Chagas - Tel. (0xx91) 3217-3166
GO - Hospital de Doenças Tropicais
Tels. (0xx62) 3201-3673, 3201-3674, 3201-3629 e 3675-3620
MA - Universidade Federal do Maranhão - Centro de Referência
em Doenças Infecciosas e Parasitárias
Tel. (0xx98) 3221-0270 e 3221-0320
AC - Secretaria Estadual de Saúde e Higiene
Tel. (0xx68) 3223-7888 - LACEN/AC - Tel. (0xx68) 3228-2720 e
Secretaria Municipal de Saúde/AC - Tel. (0xx68) 3226-3989
AP - Hospital de Emergência Oswaldo Cruz - Rua Amilton Silva,
1648 - Bairro Centro - Tel. (0xx96) 3212-6233/3212-6234
RR - LACEN/Laboratório de Malária - Rua Jair da Silva Mota, 461
- Bairro Asa Branca - Tel. (0xx95) 3626-1933
TO - Hospital de Doenças Tropicais (HDT) - Av. José de Brito,
1015, Araguaína/TO - Tel. (0xx63) 3411-6019
Folder "CONHEÇA A MALÁRIA". Autores: Wanir J. Barroso, sanitarista da Anvisa/MS e Claudio T. D. Ribeiro, médico chefe do Laboratório de Pesquisas em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Agradecemos a reprodução, divulgação do link e citação dos autores.
http://www4.ensp.fiocruz.br/biblioteca/dados/txt_569194722.pdf
Centros de Referência para a malária no Brasil:
RJ - Centro de Pesquisa, Diagnóstico e Treinamento em Malária
(CPDMAL/Fiocruz):(0xx21)9988.0113
Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC)
Tels. (0xx21) 3865-9506, 3865-9576 e 3865-9636 e
Laboratório de Pesquisas em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC)
Tel./Fax (0xx21) 3865-8145
RJ - Hospital Universitário da UFRJ
Tels. (0xx21) 2562-2562 e 2562-2590 e CIVES – UFRJ
Tel. (0xx21) 2562-6213
RJ - Hospital Universitário da UFF
Tels: (0xx21) 2629-9313 e 2629-9314
RJ - SES/RJ - Tel. (0xx21) 2299-9745 e SMS/RJ (0xx21) 2289-2096
SP - Hospital das Clínicas da USP - Tel. (0xx11) 3069-6135
SP - Ambulatório dos Viajantes do HC/USP
Tel. (0xx11) 3069-6392 e 3081-8039
SP - Núcleo de Medicina do Viajante Instituto de Infectologia
Emílio Ribas - Tel. (0xx11) 3896-1366 e 3896.1400
MG - Faculdade de Medicina da UFMG
Tels. (0xx31) 3226-6269, 9971-7846, 9956-7438
MT - Hospital Universitário Júlio Muller - Tel. (0xx65) 3615-7281
Ambulatório de Infectologia e Pronto Atendimento
Tel. (0xx65) 3615-7343
DF - Universidade de Brasília - Núcleo de Medicina Tropical
Tel. (0xx61) 3273-5008
DF - Laboratório Central da Secretaria de Saúde do GDF (LACEN)
Tel. (0xx61) 3325-5288 e 3321-2642
AM - Fundação de Medicina Tropical do Amazonas
Tel. (0xx92) 3622-0903
RO - CEPEM - Tel. (0xx69) 3225-3304 e 3225-2279
PA - Instituto Evandro Chagas - Tel. (0xx91) 3217-3166
GO - Hospital de Doenças Tropicais
Tels. (0xx62) 3201-3673, 3201-3674, 3201-3629 e 3675-3620
MA - Universidade Federal do Maranhão - Centro de Referência
em Doenças Infecciosas e Parasitárias
Tel. (0xx98) 3221-0270 e 3221-0320
AC - Secretaria Estadual de Saúde e Higiene
Tel. (0xx68) 3223-7888 - LACEN/AC - Tel. (0xx68) 3228-2720 e
Secretaria Municipal de Saúde/AC - Tel. (0xx68) 3226-3989
AP - Hospital de Emergência Oswaldo Cruz - Rua Amilton Silva,
1648 - Bairro Centro - Tel. (0xx96) 3212-6233/3212-6234
RR - LACEN/Laboratório de Malária - Rua Jair da Silva Mota, 461
- Bairro Asa Branca - Tel. (0xx95) 3626-1933
TO - Hospital de Doenças Tropicais (HDT) - Av. José de Brito,
1015, Araguaína/TO - Tel. (0xx63) 3411-6019
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
A malária brasileira fora da Amazônia.
A malária brasileira fora da Amazônia.
Dr. Wanir José Barroso, sanitarista, especialista em epidemiologia e controle de endemias.
E-mail: wanirbarroso@gmail.com
A malária como doença parasitária de evolução rápida continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil e em outras 111 áreas endêmicas de cerca de mais de 100 países. A malária humana também detém a identidade de ser a antroponose de maior prevalência no planeta, isto é, nenhuma outra doença do homem transmitida ao próprio homem, através de alguns mosquitos do gênero Anopheles, atinge e mata um número tão grande de pessoas. Há vários anos no planeta, são estimados algo entorno de meio bilhão de casos que ocasionam centenas de milhares de óbitos anuais, sendo em sua maioria crianças com menos de 5 anos de idade, além de colocar sob o risco de contrair a doença cerca de 40% da população mundial residente em sua área tropical. No Brasil a autoctonia de casos, situação em que os três elementos do ciclo evolutivo da doença (o homem, o mosquito e o Plasmodium) são ou estão na mesma região, está concentrada em todos os estados da Amazônia Legal mais o oeste do estado do Maranhão, em regiões de Mata Atlântica de diversos estados do sudeste, além de regiões do Vale do Rio Paraná. Os Estados do sudeste brasileiro além de todo restante da região extra-amazônica, a partir das décadas de 60 e 70, tiveram suas áreas maláricas transformadas em regiões de transmissão interrompida. Houve nessa época o tratamento maciço de casos, mas não houve a eliminação do mosquito transmissor, o que torna essas regiões vulneráveis à ocorrência de episódios de reintrodução da doença. Os principais mosquitos transmissores de malária nos Estados da região extra-amazônica são o Anopheles aquasalis, no litoral, o Anopheles cruzii, em regiões de Mata Atlântica e o Anopheles darlingi, em outras regiões. O Anopheles darlingi é o principal transmissor de malária no Brasil e está distribuído praticamente por todo o país. Seus principais criadouros são respectivamente: as áreas alagadas com água salobra ou do mar no entorno do litoral, as plantas que acumulam água em suas folhas, como as bromélias que são abundantes em toda região de Mata Atlântica e as áreas alagadas e sombreadas do Vale do Rio Paraná, entre outras. A malária de Mata Atlântica nos estados do sudeste como RJ, SP, ES e SC têm como características: a ocorrência de casos isolados entre visitantes e moradores da região que necessariamente entraram em contato com a mata ou estiveram próximos a ela, o registro de casos em vários municípios possuidores de Mata Atlântica, a presença preponderante do Anopheles cruzii como transmissor, o diagnóstico de malária por Plasmodium vivax com baixa parasitemia e a existência de uma representativa população de assintomáticos e oligossintomáticos da doença detectada em torno de alguns casos estudados, através de inquéritos sorológicos para Plasmodium vivax e pesquisa de Plasmodium em esfregaços sangüíneos. O comportamento epidemiológico da doença após a ocorrência de múltiplos e discretos surtos ao longo destes últimos anos nas regiões de Mata Atlântica no Brasil nos sugere que a malária de Mata Atlântica ainda esteja enfrentando a fase de transposição da barreira imunológica dos reservatórios, isto é, enquanto os anticorpos específicos dos pacientes assintomáticos estiverem contendo a multiplicação do protozoário mantendo baixa a parasitemia nesses pacientes, estarão baixas a circulação de gametócitos e a infectividade nos mosquitos transmissores. Neste período de constantes e discretos surtos ou microepidemias, enquanto não se observa o registro de níveis endêmicos mais expressivos da doença, o esperado é que continuem a ocorrer novos e esporádicos casos de malária entre visitantes e moradores não imunes nessas regiões, pela existência da população de assintomáticos ao redor de cada caso. O fato de haver poucos registros de casos não quer dizer que a doença esteja sob controle, pois os infectados sintomáticos com retardo de diagnóstico e os assintomáticos sem diagnóstico e sem tratamento oferecem a possibilidade de continuar mantendo o Plasmodium em circulação na região, infectando mosquitos e produzindo casos. A realização de novos inquéritos sorológicos para Plasmodium vivax nas diversas regiões de transmissão da malária de Mata Atlântica permitirá a identificação e o tratamento dos portadores da doença, além de permitir avaliar a extensão do problema. A principal estratégia de controle da malária de Mata Atlântica ainda é o pronto diagnóstico e tratamento dos sintomáticos e assintomáticos, como se sintomáticos fossem, sob pena dela continuar sendo por desinformação confundida com outras doenças e tratada muitas vezes apenas como febre de origem obscura. A reintrodução de malária por Plasmodium vivax nestas regiões, através de casos importados oriundos de áreas endêmicas como a Amazônia, pode interferir na infectividade do mosquito, difundir novas cepas, acelerar a ocorrência de novos surtos, além de oferecer a possibilidade de descaracterizar do ponto de vista epidemiológico e terapêutico à evolução da doença enquanto malária de Mata Atlântica. A presença de novas espécies de Plasmodium nessas regiões caracteriza uma nova situação epidemiológica. Desequilíbrios ambientais podem reduzir a população de predadores da larva de anofelinos, mosquitos transmissores de malária, e conseqüentemente favorecer a possibilidade de manutenção e expansão da doença. Situações de equilíbrio ambiental mantêm estes insetos na cadeia alimentar de seus principais predadores e praticamente incapazes de se envolverem em surtos ou epidemias pela baixa densidade de suas formas adultas. Pensar em malária diante de um paciente febril sem outros diagnósticos conclusivos em qualquer região do país, não se constitui em nenhum absurdo do ponto de vista clínico ou epidemiológico, principalmente se o paciente é oriundo de área endêmica, freqüentou regiões de Mata Atlântica no sudeste brasileiro, tem história de malárias anteriores ou de transfusões sangüíneas em área endêmica. Considerando-se estes fatos o diagnóstico de malária fora de área endêmica como a Amazônia, por exemplo, deixa de ser clínico-laboratorial para ser epidemiológico-laboratorial. Perguntar por onde o paciente esteve nos últimos 30 dias e associar possíveis áreas de transmissão de malária à febre ou outros sintomas, representa uma direção para o diagnóstico no paciente. Histórias de malárias anteriores também podem sugerir diagnósticos de recaídas ou recrudescências, dependendo da espécie de Plasmodium. Transfusões sangüíneas em áreas endêmicas ou ter frequentado portos ou aeroportos representam outras possibilidades que direcionam o diagnóstico. O Brasil é um país endêmico de malária, e esta possibilidade de diagnóstico deve ser encarada sempre como possível em qualquer parte de seu território, principalmente pela ocorrência de casos importados que podem ser detectados em qualquer região. Investir e disponibilizar informações para quem se dirige ou chega de área de transmissão da doença representa estratégia que dificulta a reintrodução de casos, possibilita o tratamento no início da doença, evita a evolução para suas formas graves e o óbito desnecessário pelo retardo de diagnóstico e de tratamento. Informações sobre o que é a doença, suas formas de transmissão, seus sintomas, os grupos de risco que podem desenvolver formas graves, o uso de quimioprofiláticos, as principais medidas de proteção individual e coletiva e principalmente onde buscar por socorro médico em qualquer região do país, representam informações importantes como estratégia de controle da endemia. Além da autoctonia de casos de malária de Mata Atlântica, a região sudeste e outras regiões da extra-amazônia brasileira convivem com outras situações de casos de malária. Dentre essas estão alguns casos que evoluem para o óbito, tendo como principal causa a desinformação sobre a doença não só por quem contrai a doença, mas, sobretudo por desinformação da rede assistencial particular e uma grande parte da rede assistencial pública, considerando-se a ausência da cultura da malária nessas regiões por deixarem de ser áreas endêmicas há cerca de pouco mais de quatro décadas. Existe ainda no Brasil uma enorme lacuna sobre a prevenção de doenças através da informação, principalmente para viajantes. Outra situação se refere aos casos importados tanto da Amazônia como da África ou outra área endêmica que são maioria no sudeste e em toda região extra-amazônica brasileira. Esses casos cumprem o período de incubação intrínseco, que corresponde a fase hepática da doença, e vem apresentar os sintomas fora da área endêmica ou de transmissão, ou até mesmo em outra área de transmissão onde são diagnosticados e tratados. A malária também migra na Amazônia pela importação de casos. Esse período de incubação pode durar de 8 a mais de 30 dias e varia segundo a espécie parasitária, a carga parasitária ou número de protozoários injetados no momento da picada, o uso de medicamentos como quimiprofiláticos e as condições imunológicas do paciente. O período de incubação da malária por P. vivax gira em torno de 12 dias, na malária por P. falciparum um pouco menos e na malária por P. malariae cerca de 30 dias. Uma quarta situação da malária fora da Amazônia, se refere a casos introduzidos, que são aqueles casos oriundos de episódios de reintrodução da doença. Alguém chega com malária em região de transmissão interrompida, como o Rio de Janeiro, por exemplo, permanece sem diagnóstico e tratamento, são picados por mosquitos transmissores da doença, estes se infectam e transmitem a doença em tantos quantos picarem após cumprir o período de incubação extrínseco, que ocorre no mosquito-fêmea e que dura cerca de 10 a 12 dias. Dois episódios importantes ocorreram no RJ, um em 1997, em Itaipuaçu-Maricá e outro em 2002, em Paraty. O risco de se conviver com episódios de reintrodução de malária no Rio de Janeiro ou em qualquer área de transmissão interrompida da região extra-amazônica é permanente, porque permanentes são: a existência de mosquitos transmissores de malária em algumas regiões não urbanas ou pouco urbanizadas e a chegada de viajantes doentes com malária nessas regiões. A desinformação sobre a doença, a ausência da cultura da malária, a não preservação ou o manejo ambiental predatório e a automedicação na área endêmica são fatores relacionados com os episódios de reintrodução da doença no Rio de Janeiro. Poucos casos induzidos e importados, ou por transfusão sangüínea ou por uso de drogas ilícitas injetáveis, também fazem parte dessa realidade em alguns Estados do sudeste. O que ocorre no sudeste, em termos epidemiológicos, ocorre na maioria das regiões da extra-amazônia brasileira. Investir em informação sobre a doença e investir no diagnóstico precoce são estratégias que reduzem a endemicidade da doença e fazem com que os mosquitos transmissores passem a ter importância secundária em regiões de transmissão interrompida ou em regiões onde o diagnóstico e o tratamento são feitos antes da aparição de gametócitos no paciente. Quanto mais veloz o diagnóstico e o tratamento, menores as chances de novos mosquitos se infectarem e de ocorrerem novos surtos ou epidemias. A implantação de medidas de impacto epidemiológico como o aumento da informação sobre a doença, o aumento da precocidade no diagnóstico e tratamento dos infectados e doentes, a detecção e tratamento de assintomáticos, o controle possível do mosquito transmissor e o aumento de parcerias comunitárias, institucionais e científicas são estratégias que influenciam na redução e controle da endemicidade da malária no planeta. Na Amazônia, a mudança de perspectiva de sua população com relação ao controle da doença representa ainda apenas uma das barreiras a serem vencidas com vistas ao controle e redução da endemicidade dessa antroponose no Brasil. Todas essas estratégias de controle da doença no planeta têm ainda como desafios entrelaçados encaminhamentos políticos e múltiplas soluções de determinantes epidemiológicas, ecológicas, socioculturais e econômicas, todas de dimensões continentais.
http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21170:a-malaria-brasileira-fora-da-amazonia&catid=46&Itemid=18
http://www.infectologia.org.br/default.asp?site_Acao=mostraPagina&paginaId=134&mNoti_Acao=mostraNoticia¬iciaId=23097
Dr. Wanir José Barroso, sanitarista, especialista em epidemiologia e controle de endemias.
E-mail: wanirbarroso@gmail.com
A malária como doença parasitária de evolução rápida continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil e em outras 111 áreas endêmicas de cerca de mais de 100 países. A malária humana também detém a identidade de ser a antroponose de maior prevalência no planeta, isto é, nenhuma outra doença do homem transmitida ao próprio homem, através de alguns mosquitos do gênero Anopheles, atinge e mata um número tão grande de pessoas. Há vários anos no planeta, são estimados algo entorno de meio bilhão de casos que ocasionam centenas de milhares de óbitos anuais, sendo em sua maioria crianças com menos de 5 anos de idade, além de colocar sob o risco de contrair a doença cerca de 40% da população mundial residente em sua área tropical. No Brasil a autoctonia de casos, situação em que os três elementos do ciclo evolutivo da doença (o homem, o mosquito e o Plasmodium) são ou estão na mesma região, está concentrada em todos os estados da Amazônia Legal mais o oeste do estado do Maranhão, em regiões de Mata Atlântica de diversos estados do sudeste, além de regiões do Vale do Rio Paraná. Os Estados do sudeste brasileiro além de todo restante da região extra-amazônica, a partir das décadas de 60 e 70, tiveram suas áreas maláricas transformadas em regiões de transmissão interrompida. Houve nessa época o tratamento maciço de casos, mas não houve a eliminação do mosquito transmissor, o que torna essas regiões vulneráveis à ocorrência de episódios de reintrodução da doença. Os principais mosquitos transmissores de malária nos Estados da região extra-amazônica são o Anopheles aquasalis, no litoral, o Anopheles cruzii, em regiões de Mata Atlântica e o Anopheles darlingi, em outras regiões. O Anopheles darlingi é o principal transmissor de malária no Brasil e está distribuído praticamente por todo o país. Seus principais criadouros são respectivamente: as áreas alagadas com água salobra ou do mar no entorno do litoral, as plantas que acumulam água em suas folhas, como as bromélias que são abundantes em toda região de Mata Atlântica e as áreas alagadas e sombreadas do Vale do Rio Paraná, entre outras. A malária de Mata Atlântica nos estados do sudeste como RJ, SP, ES e SC têm como características: a ocorrência de casos isolados entre visitantes e moradores da região que necessariamente entraram em contato com a mata ou estiveram próximos a ela, o registro de casos em vários municípios possuidores de Mata Atlântica, a presença preponderante do Anopheles cruzii como transmissor, o diagnóstico de malária por Plasmodium vivax com baixa parasitemia e a existência de uma representativa população de assintomáticos e oligossintomáticos da doença detectada em torno de alguns casos estudados, através de inquéritos sorológicos para Plasmodium vivax e pesquisa de Plasmodium em esfregaços sangüíneos. O comportamento epidemiológico da doença após a ocorrência de múltiplos e discretos surtos ao longo destes últimos anos nas regiões de Mata Atlântica no Brasil nos sugere que a malária de Mata Atlântica ainda esteja enfrentando a fase de transposição da barreira imunológica dos reservatórios, isto é, enquanto os anticorpos específicos dos pacientes assintomáticos estiverem contendo a multiplicação do protozoário mantendo baixa a parasitemia nesses pacientes, estarão baixas a circulação de gametócitos e a infectividade nos mosquitos transmissores. Neste período de constantes e discretos surtos ou microepidemias, enquanto não se observa o registro de níveis endêmicos mais expressivos da doença, o esperado é que continuem a ocorrer novos e esporádicos casos de malária entre visitantes e moradores não imunes nessas regiões, pela existência da população de assintomáticos ao redor de cada caso. O fato de haver poucos registros de casos não quer dizer que a doença esteja sob controle, pois os infectados sintomáticos com retardo de diagnóstico e os assintomáticos sem diagnóstico e sem tratamento oferecem a possibilidade de continuar mantendo o Plasmodium em circulação na região, infectando mosquitos e produzindo casos. A realização de novos inquéritos sorológicos para Plasmodium vivax nas diversas regiões de transmissão da malária de Mata Atlântica permitirá a identificação e o tratamento dos portadores da doença, além de permitir avaliar a extensão do problema. A principal estratégia de controle da malária de Mata Atlântica ainda é o pronto diagnóstico e tratamento dos sintomáticos e assintomáticos, como se sintomáticos fossem, sob pena dela continuar sendo por desinformação confundida com outras doenças e tratada muitas vezes apenas como febre de origem obscura. A reintrodução de malária por Plasmodium vivax nestas regiões, através de casos importados oriundos de áreas endêmicas como a Amazônia, pode interferir na infectividade do mosquito, difundir novas cepas, acelerar a ocorrência de novos surtos, além de oferecer a possibilidade de descaracterizar do ponto de vista epidemiológico e terapêutico à evolução da doença enquanto malária de Mata Atlântica. A presença de novas espécies de Plasmodium nessas regiões caracteriza uma nova situação epidemiológica. Desequilíbrios ambientais podem reduzir a população de predadores da larva de anofelinos, mosquitos transmissores de malária, e conseqüentemente favorecer a possibilidade de manutenção e expansão da doença. Situações de equilíbrio ambiental mantêm estes insetos na cadeia alimentar de seus principais predadores e praticamente incapazes de se envolverem em surtos ou epidemias pela baixa densidade de suas formas adultas. Pensar em malária diante de um paciente febril sem outros diagnósticos conclusivos em qualquer região do país, não se constitui em nenhum absurdo do ponto de vista clínico ou epidemiológico, principalmente se o paciente é oriundo de área endêmica, freqüentou regiões de Mata Atlântica no sudeste brasileiro, tem história de malárias anteriores ou de transfusões sangüíneas em área endêmica. Considerando-se estes fatos o diagnóstico de malária fora de área endêmica como a Amazônia, por exemplo, deixa de ser clínico-laboratorial para ser epidemiológico-laboratorial. Perguntar por onde o paciente esteve nos últimos 30 dias e associar possíveis áreas de transmissão de malária à febre ou outros sintomas, representa uma direção para o diagnóstico no paciente. Histórias de malárias anteriores também podem sugerir diagnósticos de recaídas ou recrudescências, dependendo da espécie de Plasmodium. Transfusões sangüíneas em áreas endêmicas ou ter frequentado portos ou aeroportos representam outras possibilidades que direcionam o diagnóstico. O Brasil é um país endêmico de malária, e esta possibilidade de diagnóstico deve ser encarada sempre como possível em qualquer parte de seu território, principalmente pela ocorrência de casos importados que podem ser detectados em qualquer região. Investir e disponibilizar informações para quem se dirige ou chega de área de transmissão da doença representa estratégia que dificulta a reintrodução de casos, possibilita o tratamento no início da doença, evita a evolução para suas formas graves e o óbito desnecessário pelo retardo de diagnóstico e de tratamento. Informações sobre o que é a doença, suas formas de transmissão, seus sintomas, os grupos de risco que podem desenvolver formas graves, o uso de quimioprofiláticos, as principais medidas de proteção individual e coletiva e principalmente onde buscar por socorro médico em qualquer região do país, representam informações importantes como estratégia de controle da endemia. Além da autoctonia de casos de malária de Mata Atlântica, a região sudeste e outras regiões da extra-amazônia brasileira convivem com outras situações de casos de malária. Dentre essas estão alguns casos que evoluem para o óbito, tendo como principal causa a desinformação sobre a doença não só por quem contrai a doença, mas, sobretudo por desinformação da rede assistencial particular e uma grande parte da rede assistencial pública, considerando-se a ausência da cultura da malária nessas regiões por deixarem de ser áreas endêmicas há cerca de pouco mais de quatro décadas. Existe ainda no Brasil uma enorme lacuna sobre a prevenção de doenças através da informação, principalmente para viajantes. Outra situação se refere aos casos importados tanto da Amazônia como da África ou outra área endêmica que são maioria no sudeste e em toda região extra-amazônica brasileira. Esses casos cumprem o período de incubação intrínseco, que corresponde a fase hepática da doença, e vem apresentar os sintomas fora da área endêmica ou de transmissão, ou até mesmo em outra área de transmissão onde são diagnosticados e tratados. A malária também migra na Amazônia pela importação de casos. Esse período de incubação pode durar de 8 a mais de 30 dias e varia segundo a espécie parasitária, a carga parasitária ou número de protozoários injetados no momento da picada, o uso de medicamentos como quimiprofiláticos e as condições imunológicas do paciente. O período de incubação da malária por P. vivax gira em torno de 12 dias, na malária por P. falciparum um pouco menos e na malária por P. malariae cerca de 30 dias. Uma quarta situação da malária fora da Amazônia, se refere a casos introduzidos, que são aqueles casos oriundos de episódios de reintrodução da doença. Alguém chega com malária em região de transmissão interrompida, como o Rio de Janeiro, por exemplo, permanece sem diagnóstico e tratamento, são picados por mosquitos transmissores da doença, estes se infectam e transmitem a doença em tantos quantos picarem após cumprir o período de incubação extrínseco, que ocorre no mosquito-fêmea e que dura cerca de 10 a 12 dias. Dois episódios importantes ocorreram no RJ, um em 1997, em Itaipuaçu-Maricá e outro em 2002, em Paraty. O risco de se conviver com episódios de reintrodução de malária no Rio de Janeiro ou em qualquer área de transmissão interrompida da região extra-amazônica é permanente, porque permanentes são: a existência de mosquitos transmissores de malária em algumas regiões não urbanas ou pouco urbanizadas e a chegada de viajantes doentes com malária nessas regiões. A desinformação sobre a doença, a ausência da cultura da malária, a não preservação ou o manejo ambiental predatório e a automedicação na área endêmica são fatores relacionados com os episódios de reintrodução da doença no Rio de Janeiro. Poucos casos induzidos e importados, ou por transfusão sangüínea ou por uso de drogas ilícitas injetáveis, também fazem parte dessa realidade em alguns Estados do sudeste. O que ocorre no sudeste, em termos epidemiológicos, ocorre na maioria das regiões da extra-amazônia brasileira. Investir em informação sobre a doença e investir no diagnóstico precoce são estratégias que reduzem a endemicidade da doença e fazem com que os mosquitos transmissores passem a ter importância secundária em regiões de transmissão interrompida ou em regiões onde o diagnóstico e o tratamento são feitos antes da aparição de gametócitos no paciente. Quanto mais veloz o diagnóstico e o tratamento, menores as chances de novos mosquitos se infectarem e de ocorrerem novos surtos ou epidemias. A implantação de medidas de impacto epidemiológico como o aumento da informação sobre a doença, o aumento da precocidade no diagnóstico e tratamento dos infectados e doentes, a detecção e tratamento de assintomáticos, o controle possível do mosquito transmissor e o aumento de parcerias comunitárias, institucionais e científicas são estratégias que influenciam na redução e controle da endemicidade da malária no planeta. Na Amazônia, a mudança de perspectiva de sua população com relação ao controle da doença representa ainda apenas uma das barreiras a serem vencidas com vistas ao controle e redução da endemicidade dessa antroponose no Brasil. Todas essas estratégias de controle da doença no planeta têm ainda como desafios entrelaçados encaminhamentos políticos e múltiplas soluções de determinantes epidemiológicas, ecológicas, socioculturais e econômicas, todas de dimensões continentais.
http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21170:a-malaria-brasileira-fora-da-amazonia&catid=46&Itemid=18
http://www.infectologia.org.br/default.asp?site_Acao=mostraPagina&paginaId=134&mNoti_Acao=mostraNoticia¬iciaId=23097
domingo, 9 de maio de 2010
Distribuição dos principais mosquitos transmissores de malária no planeta.
http://www.map.ox.ac.uk/browse-resources/multiple-vectors/dominant_malaria_vectors/world/
"Não se constitui em nenhum absurdo dizer que sempre existe a possibilidade de se contrair malária em qualquer região do planeta, inclusive nos países desenvolvidos ou de primeiro mundo. Essas regiões são as que possuem as principais espécies de mosquitos transmissores de malária, como nos mostra este slide. Onde existe o mosquito existe a possibilidade, inclusive em portos e aeroportos. Hoje conhecemos cerca de mais de 400 espécies de mosquitos do gênero Anopheles e apenas cerca de 54 delas são boas transmissoras de malária. Na África, principal área endêmica do planeta, o principal mosquito transmissor é o Anopheles gambiae e no Brasil o A. darlingi que está distribuído praticamente por todo o país, o A. aquasalis no litoral e o A. cruzii em regiões de Mata Atlântica. Algumas regiões deixaram de ser endêmicas para se transformarem em regiões de transmissão interrompida pelo tratamento de casos. Nessas regiões ao longo dos anos, os casos de malária foram ou são tratados rapidamente antes de surgirem novas epidemias e nessas regiões também podem ocorrer episódios de reintrodução da doença por existir o mosquito transmissor e por também circular pessoas doentes ou assintomáticas com malária vindas de outras regiões endêmicas, que estão distribuídas por mais de 100 países. Nossos atuais países endêmicos estão todos localizados na área tropical do planeta e representam nossa gigantesca área de transmissão, onde residem cerca de 40% de nossa população mundial ou mais de 2,4 bilhões de pessoas que estão permanentemente expostas ao risco de contrair a doença. Somente não temos mosquitos transmissores de malária nas áreas geladas, altas e desérticas do planeta. Em épocas passadas a urbanização de algumas regiões apenas afastou os mosquitos transmissores de malária das áreas urbanizadas, hoje muitas espécies desses mosquitos urbanizaram-se e transmitem malária em áreas urbanas. O risco de se morrer de malária é muito maior fora das áreas endêmicas ou de transmissão porque os médicos não pensam em malária diante de um paciente febril sem outros diagnósticos conclusivos, até porque os sintomas de malária são muito parecidos com os de outras doenças, principalmente as doenças virais. E malária é uma doença que evolui muito rapidamente para suas formas graves se não for diagnosticada e tratada. A morte por malária se dá pela falência de órgãos como o fígado, os rins, os pulmões, o baço e o cérebro. Não sabemos ao certo o número real de casos de malária que ocorrem no planeta todos os anos, a OMS nos fala em cerca de 500 milhões de casos e de 3 a 5 milhões de óbitos anuais, sendo principalmente crianças com menos de 5 anos de idade. Parece que estamos diante de uma guerra cega, muda e surda, ninguém vê, ninguém fala, ninguém ouve. E lá se vão alguns milhões de óbitos por malária todos os anos. No Brasil nos últimos anos o nível endêmico situou-se em torno de 500 mil casos anuais notificados, e certamente esse número não é o real.
O certo é que não devemos acreditar que contrair, adoecer ou morrer de malária seja por que Deus assim quer. E nem continuar esperando que a malária continue caminhando com suas próprias pernas, com suas poucas pernas ou com suas curtas pernas ou esperar que ela naturalmente se resolva pelo incerto crescimento econômico de países desfavorecidos sob vários aspectos. É certeza também de que estamos diante de um problema mundial de responsabilidade de todos, dos mais negligenciados e com muitas fronteiras geográficas, políticas, sociais e tecnológicas e pouquíssimas, pontuais e ineficazes soluções para um controle que se confunde ou se aproxima de um controle cego da endemia. Precisamos além de sair do nosso silêncio, ousar em soluções e estratégias continentais, se quisermos esperar por dias melhores para essa doença que não tem vacina específica e eficaz, que acompanha a humanidade desde épocas remotas, que causa sofrimento e irreparáveis perdas humanas." Wanir Barroso, sanitarista.
O certo é que não devemos acreditar que contrair, adoecer ou morrer de malária seja por que Deus assim quer. E nem continuar esperando que a malária continue caminhando com suas próprias pernas, com suas poucas pernas ou com suas curtas pernas ou esperar que ela naturalmente se resolva pelo incerto crescimento econômico de países desfavorecidos sob vários aspectos. É certeza também de que estamos diante de um problema mundial de responsabilidade de todos, dos mais negligenciados e com muitas fronteiras geográficas, políticas, sociais e tecnológicas e pouquíssimas, pontuais e ineficazes soluções para um controle que se confunde ou se aproxima de um controle cego da endemia. Precisamos além de sair do nosso silêncio, ousar em soluções e estratégias continentais, se quisermos esperar por dias melhores para essa doença que não tem vacina específica e eficaz, que acompanha a humanidade desde épocas remotas, que causa sofrimento e irreparáveis perdas humanas." Wanir Barroso, sanitarista.
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